Caminho de Peabiru no Brasil

Peabirus 10

O Caminho do Peabiru era uma extensa rede de passagens e trilhas, que interligava grupos e etnias indígenas do continente sul-americano, séculos, e até milênios, antes da colonização portuguesa e espanhola. A rede, um eixo de trânsito e intercâmbio fundamental entre as culturas índias da época, desde as tribos tupiniquins e guaranis do litoral atlântico até a região andina pré-incaica, formava uma via intercontinental. Foi usada, mais tarde, pelos descobridores e bandeirantes, como caminho pré-existente para a penetração no interior do continente, e, mais tarde ainda, para traçar o percurso de rodovias e ferrovias do Brasil moderno, pois em geral era o melhor trajeto possível do ponto de vista geográfico.

Um dos trechos mais importantes saía de Cananéia, cruzava transversalmente o estado de São Paulo, e seguia pelo continente rumo ao noroeste, pelo Paraguai e Bolívia, chegando até Cuzco, no Peru do então Império Inca.

Segundo afirmam alguns arqueólogos, a Estrada do Ariri, que passa ao lado do hotel, fazia parte desse ramal do antigo Caminho do Peabiru, que levaria até os Andes passando pelo Chaco paraguaio e boliviano.

Há agora um movimento crescente, no Vale do Ribeira e em vários municípios ao longo do percurso original, procurando revitalizar o Peabiru, do ponto de vista arqueológico e histórico, para relançá-lo, do ponto de vista turístico, de forma análoga ao que foi realizado com a Estrada Real, por exemplo. Nós mesmos aderimos à governança local do Peabiru, que pretende dar sua contribuição ao movimento de relançamento, e pressionar as autoridades públicas (estaduais e municipais), para que valorizem esse aspecto do passado continental.

A pesquisadora Rosana Bond lançou recentemente o segundo volume do seu livro, muito amplo e documentado, chamado História do Caminho de Peabiru. Historiadores e arqueólogos estão estudando achados arqueológicos, como a Pedra do Peabiru. Os raros trechos remanescentes são o ponto de partida para tentar reconstruir o percurso das partes que sumiram, varridas pelas artérias de transporte moderno, pela agricultura e pelo crescimento urbano do Brasil atual – sem falar do total descaso das autoridades e, até pouco tempo atrás, do mundo acadêmico, que costumava desprezar as manifestações das culturas pré-históricas aborígenes. Da mesma forma, no caso dos sambaquis, que só nos últimos vinte anos passaram a ser objeto de estudos, pesquisas e preservação, depois de séculos de abandono e destruição.

Fonte: Lagamar EcoHotel

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